quarta-feira, 6 de julho de 2011

A vida tá precisando viver, o amor precisa amar. O amor não é seguro, parece um nó, é só. Num quarto escuro, ao som de Chico, Cartola, Oswaldo, ou outra poesia qualquer..., o amor despele uma lágrima, declama a alma. No suor do céu estrelado, no meio do mato, com um violão do lado, para o amor, não há coisa melhor. O bonito do amor persegue o infinito, é inacabado, estragado, dança ao som da flauta da poesia. O amor despreza o que o mundo acredita, é o poeta da vida. Hoje a cidade acendeu, eu derramei a minha saudade, mas você, por maldade, não apareceu. Eu desabei a tempestade, acordei o dia, pálida luz da estrela-guia. Você é um ser indignado, de um riso amordaçado, e coração agoniado. Mas quem é você...? Dois olhos negros. 

domingo, 19 de junho de 2011

Utopia

Tempo de olhar para o chão, de viver com o relógio na mão. Tempo, onde nem o tempo tem tempo de esperar seu tempo. Um martírio, sentimos medo de sentir medo. Faço o cimento da minha poesia, sem ponto final, sem esperar a cura do mal. É um prefácio mal amado, um sentido inacabado.   
E o tempo passou, envelheceu. O silêncio é uma tortura, foi um adeus de ternura, alguma coisa se perdeu. Então a alma compõe uma música para a vida acontecer, as paredes dizem da rima, mas não é uma canção, é uma sina. Uma sina aflorada numa angustia sóbria, vasta, profunda e muda. As horas são eternas e o tempo envelhece. Mas enquanto a vida passa, eu procuro razão no ar que respiro, no medo que ainda não sinto, nas horas nuas, na nostalgia. E é no meu mundo, entre quatro paredes, que, na infinita madrugada, só existe amor e mais nada. 
A dor é inevitável, o sofrimento é opcional, o tempo passa com o tempo. Eu já pus tanto ponto final, que a minha vida virou reticências. Eu abjuro meu entender, como se eu entendesse algo. Escrevo para anunciar o sarcasmo: a esperança de que alguém me entenda.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Nostalgia


O meu sarcasmo é acerbo, minha ironia é mordaz. O meu carnaval chegou e, para quem duvidou, de tanto apanhar do mundo, eu aprendi a bater, e irei revidar. Você ama meus erros, e talvez eu te ame mais do que eu possa, talvez eu te ame menos do que eu deva, talvez eu nem te ame.

Escorço

Quero te amar menos, um amor em mim menor, desobjeto sereno que dorme no sereno do sol. Isenta luz infante, cala o canto distante. A minha existência é o quando, o quando no encanto do instante. A chuva caminha nua nas pedras da lua em um sonho dissonante. E será dia, lhe declamando poesia, que irei morrer te amando mais do que podia. 

domingo, 22 de maio de 2011

Sina

O poeta in verso de tua senda, no eco de suas palavras, discorda do amor, entre tanta dor. Entretanto queria dar a lua à flor antes que, como a vida, ela morra.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Pena

Estou sempre aqui, mas não a todo momento. O tempo não traduz o infinito ais, é apenas um segundo do silente cais.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Estio, o vento anilado

O relógio remoça o tempo, conta as horas de um eterno mensurável. O coração da alma bate no ritmo dos ponteiros desencontrados. A deferida canção diz do olhar da eternidade desmaiada. Quão tolo dizer que a imensidão azul é infinita, o mar acaba logo ali, na fronteira da vida. O que me assiste, é olvido, não consiste. Daí a dádiva, sobreviver fingindo viver, ou viver jurando sobreviver. O fantasma da vida ainda perturba, vagando, implorando aos prantos que alguém grite um grito desumano, uma maneira do silêncio ser escutado.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Pragmático

Via-se na janela de madeira com cortinas de cetim. Ofegante, olhar despido, observava fugaz se erguer uma estranha folia que se entranhava errante em uma praça. A destreza das luzes penadas, belas ante o olhar da cegueira. Seu canto era o único lugar onde não era iluminado pela clara escuridão que emanava das sombras refletidas pelos confetes. Tampouco, como de costume, dormiu assim que o sol nasceu. Sonhos em sonhos, em um ímpeto de fugir ao mar, sem lembrar que um dia existiu em um lugar que nunca foi criado. Sonhos onde se jogava ao mar, um sublimado suicídio para ver se a vida dava qualquer sinal de vida. Acordava aos poucos com o barulho abafado da rua, mas continuava na vida do mar. E assim permanece até hoje, prefere morrer vivendo, do que matar a vida de morte morrida. Mas enquanto isso, o estandarte de carnaval é colorido com cores do mal. E assim como tua alma, o ser, em seu suicídio, renasce. A coincidência dos fatos, onde o fim se entrelaça com o começo. Onde o início "gera" e o fim lhe diz "já era".

domingo, 8 de maio de 2011

Cyro

Ademais, ática era a flauta que espreitava as flores do mal polidas ao chão. Em quase um segundo, eu senti a brisa que tocava a astuta e pálida pele de Sísifo. Ente, a maior flor do mundo olhava anjo adentro, duvidando, em um impasse, de sua pureza. Olhos sujos de poemas, condenava o fúnebre arcanjo da vida. Seu olhar de náusea, repelia as coisas das palavras sem ênfase. O silêncio consolava o grito, o mudo medo soletrava o sol. O amor cigano fez uma flor nascer na rua. Debochada, era uma flor, nasceu desbotada. Sem dó, furou o asfalto, ignorou o ódio, declarou o nojo e encerrou o tédio, era uma flor.

domingo, 1 de maio de 2011

Mortalmente insano

Até quando o conserto de uma voz calada? O pecado faz sentido até relutar, a alma ainda pode sonhar. Alma perdida de um mundo que recende a morte. Retiro minha mente do exílio, tento pensar, ser metade. Mas ao pensar, minto, contradito o que sinto. Uma rosa sangra com fervor, recita tua lamúria, no meio de um imane e atroz recinto.